terça-feira, 26 de julho de 2011


Conheço uma mulher, já quase cinqüentona, que passou boa parte da sua vida apaixonada pelo primeiro namorado. Eles tiveram um romance caliente lá nos seus 18 anos, depois se separaram e cada um tomou seu rumo. Ele casou e teve filhos, ela casou e teve filhos. Nas raras vezes em que se cruzavam pelas ruas da cidade, cumprimentavam-se, perguntavam como andava a vida de um e de outro, mas nada além disso. A verdade é que ela preservou o sentimento que tinha por ele por muitos anos, mesmo sendo feliz no seu casamento. Era um amor de estimação. Até que esse amor, tão sem ressonância, tão sem retribuição, tão sem aditivos, um dia evaporou. Perdeu o prazo de validade. Expirou.

Dia desses esta mulher recebeu um telefonema. Era ele. Oi, tudo bom? Há quanto tempo? Trivialidades de quem não se fala há anos. Ela perguntou: o que você conta? Ele respondeu que estava ligando para dizer uma única coisa: eu te amo.

Corta. Não teve happy end. Ela agradeceu o telefonema, desligaram e ambos seguiram suas vidas. Conversando com ela sobre isso, senti sua felicidade e desilusão ao mesmo tempo. Felicidade, logicamente, por ter deixado marcas profundas no coração dele: nem em sonhos ela imaginou que ele também tivesse levado esse sentimento tão adiante. E a tristeza veio da falta de ressonância, mais uma vez. Por que a demora? Por que a falta de sincronia? Como teria sido se ele houvesse dito isso alguns anos antes? Agora já não adiantava.

A beleza e a tristeza da vida podem estar em situações como esta: descobrir, tarde demais, que se ama uma pessoa. Pode acontecer até com quem está ao nosso lado neste instante. Parece que é um amor morno e sem graça, e que se acabar, tanto faz, e só daqui a muitos anos descobrir que nada era mais forte e raro do que este sentimento. Tarde demais é uma expressão cruel. Tarde demais é uma hora morta. Tarde demais é longe à beça. Não é lá que devemos deixar florecer nossas descobertas.

Martha Medeiros.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011


Eu entro nesse barco, é só me pedir.
Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que remar também. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir.
Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia.
Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo.
Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir.
Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto.
Eu te ensino a nadar, JURO!
Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!
Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser à toa, que vale a pena.
Que por você vale a pena.
Que por nós vale a pena.
Remar.Re-amar.
Amar.

(Caio Fernando Abreu)

@Helenzinhaa_

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Domingo em família!


Vou sentir falta das brincadeiras, dos risos, das piadas, das brigas, das discussões, dos gritos. Vou sentir falta dos primos menores correndo pela casa, dos maiores no telefone com os amigos, da vovó chamando todos para comer, do vovô distribuindo ou reclamando de dinheiro.
Um dizendo: - Fulaninho para de correr!
O outro gritando: - Mãe pega a toalha!
E outros: -Cadê o controle da TV?
- Alguém viu meu celular?
- Você não sabe brincar.
- Você ta roubando!
- Mãeeee a toaaalha!
- Sai da frente!
- Cala a boca menino!
- Fala baixo!
- Quem vai comprar a cerveja?
- Cadê o refrigerante?
E a vovó insistindo: - O almoço ta na meeesa! Vai ficar frio!
Eu não quero nem imaginar quando tudo isso acabar, quando não existir mais o vovô e a vovó pra unir todos, pra comemorar, pra cozinhar, pra reclamar, pra defender. Quando cada um seguir seu caminho, cada um for para um lado, quando não existir reuniões de toda a família, quando a família for apenas o pai, a mãe e o filho, invés de toda a população que os avós reúnem e dizem ser “apenas os parentes mais próximos”, não sei o que vou fazer quando perder esses momentos simples e felizes, as reuniões aos domingos, os churrascos, a família.


Esse post é para todos aqueles que vivem ou viveram. Família a base de tudo.

@alfaaia

quinta-feira, 7 de abril de 2011

8:30 AM!


De manhã cedo muito carinhosamente o vou acordar, depressa os seus olhos, meio fechados, ainda um pouco ensonados, formam um olhar intenso, ficando enormes com o seu sorriso. É logo neste primeiro momento do dia que descubro algo de muito valioso que uma criança pode ensinar a um adulto, estar feliz e contente sem precisar de um grande motivo. Os pais que de manhã encontra e o dia que lhe espera é razão suficiente e bastante para sorrir, enquanto nós adultos estamos quase sempre a procurar a felicidade em grandes coisas e momentos. Depressa se ocupa de alguma coisa, vai beber o leite, aproveita para brincar, para falar e logo aprendo outra coisa importante de uma criança, estar sempre ocupado com alguma coisa, ensinando-nos que é em vão que perdemos tempo com coisas inúteis e preocupações excessivas. Depois, para a escola toca a andar, olho-o tão pequeno - é ainda o meu Bebé, olho aquele “Bebé” de mochila às costas, quase tão grande como ele, mas mais uma vez ele me ensina uma nova coisa, que podemos desempenhar por gosto todas as nossas tarefas diárias, ainda que não façamos o que gostaríamos mais de fazer na vida. E, lá vai ele com uma grande expressão de felicidade. Quando o deixo na escola, ainda mal começou o dia, e eu por longas oito horas “perco” aquela criança - o meu Bebé. Quais as suas sensações nas novas descobertas? Da leitura, da pintura, da magia dos números? Quais as suas brincadeiras, as suas emoções?... Quando a escola Primária acaba vai para o ATL, o que aprende pela primeira vez? O que sentirá nas tarefas de expressão artística e física? As brincadeiras e os contactos com os seus amigos?... Todo um mundo a descobrir em cada segundo e eu tão longe, durante oito horas, não posso, nesses instantes, olhar aqueles olhos grandes e expressivos, o meu bebé cresce, cresce com os outros. De regresso a casa, umas vezes cansado, outras cheio de energia e de novidades para contar, estuda, brinca, vê televisão e após o jantar rende-se ao cansaço. Por vezes, levo-o para cama nos meus braços – mesmo que seja por pouco, por muito pouco, ele torna a ser o meu “Bebé” de novo, vai dormir para encarar da mesma forma e com a mesma vontade e alegria desse dia, mais um dia que irá começar. Nessa noite sonhará sonhos que o mundo jamais conseguirá entender. É então que penso que ele um dia será um jovem, depois um adulto como eu e que todos os adultos e amigos que o rodeiam nestas horas são tão importante na sua vida e formação como os seus pais, pois estão com eles, às vezes, mais tempo do que os próprios pais. Todos nós estamos a fazer crescer estas crianças, como pássaros no ninho, que precisam dos pais, dos professores e dos auxiliares de educação e do seu tempo livre e amigos para que eles possam criar asas neste ninho e um dia possam voar livres, para a construção de um mundo mais admirável. Todos os dias levantamo-nos com a certeza que o sol brilhará, mesmo nos dias mais cinzentos, por entre as nuvens, ele brilhará e dará luz a nossa vida, imaginar um mundo sem uma criança, seria como acordar um dia sem que existisse o sol para iluminar a nossa vida, por isso temos que olhar, compreender e ouvir os nossas filhos, dar-lhes toda a atenção. Em suma, se sentir-mos a criança que cada um tem dentro de nós, já mais a nossa vida deixará de brilhar, se um dia perdermos o contacto com essa criança, perderemos o contacto com a vida, com os nossos filhos, com o sol que brilha todos os dias. Parece que escrevi muito, mas por mais que ainda escrevesse nada conseguiria dizer sobre uma criança. Como certas coisas na vida, as crianças não são para ser explicadas, apenas compreendidas e sentidas, na minha humilde forma de ser, apenas diria que são como um raio de luz que irradia o mundo e as nossas vidas.


07/04/2011 Rj. LUTO (F), pequenos anjos de Deus.


@alfaaia

segunda-feira, 28 de março de 2011


Desculpe-me por falar contigo apenas na hora que me convêm, Desculpe-me por não reparar em tuas palavras, nem em teus argumentos, Peço desculpa pelas vezes que me alertou e eu não liguei, e após ter errado apenas me consolasse,e em momento algum me reprimiu. Mas também queria agradecer pelas milhares de vezes que me fizestes favores e eu como uma tola não agradeci, pelas vezes que segurou em minha mão e não me deixou "cair",e também peço desculpa pelas vezes que disse que iria a tua casa, e não fui, pelas vezes que me testou e eu não passei. Me desculpe por não ter sido uma boa filha ,por não ter obedecido tua palavra, por não ter sido um bom exemplo, por não ter sido uma boa irmã para o meu próximo, me desculpe, me desculpe Deus.



@alfaaia.

segunda-feira, 14 de março de 2011


Eu sinto falta de um tempo...

Do tempo que não havia infantilidade, era tudo por diversão.
Do tempo que não havia meninos nem meninas, eramos todos amigos,
Do tempo que ir ao shopping sozinho era motivo para comemorar, e não só mais um programa.
Do tempo em que sair todos os amigos juntos era um dia normal, e não uma raridade.
Do tempo que ir de tarde para o colégio fazer trabalho era um alivio e não uma obrigação.
Do tempo que matar aula era fingir que estava lanchando depois do ensaio.
Do tempo que legal mesmo era sair correndo pela rua.
Do tempo em que filar a prova era mais engraçado do que necessário.
Do tempo em que o que nos atrapalhava era o fato de não saber dançar direito.
Do tempo em que as conversas eram algo extremamente puro.
Do tempo em que o motivo de ficar com raiva do amigo era o simples fato dele não lhe dar um pirulito.
Do tempo em que não se podia ir a praça sozinha, e dávamos mais valor aos momentos em que podíamos.
Do tempo que nós adiantávamos o relógio para ir para a casa do amigo, fazer algum trabalho.
Enfim...Enfim...

DO TEMPO EM QUE IMPORTANTE MESMO ERA SER FELIZ.


por: @alfaaia